
O momento complicado na história norte-americana, devido aos recentes casos de violência racial, que desencadearam uma série de protestos da população, tem impulsionado discussões sobre racismo e apropriação da cultura negra.
Entre as que tiveram mais repercussão aqui no Brasil está a entrevista de Azealia Banks à Hot 97 e a réplica de Iggy Azalea via Twitter. Macklemore - que como a australiana, foi usado de exemplo por Banks - também teve a chance de se pronunciar na mesma rádio.
Quanto ativismo e a mobilidade social no que concerne à raça, Macklemore explicou seu pensamento sobre como adentrar na discussão. "Para mim, como um homem branco, como um rapper branco, pensei em como participo desta conversa? Como me envolvo de forma a não cooptar o movimento ou não me tornar o assunto central, mas também tendo em conta o que alcancei, estarei fazendo isso de maneira autêntica?"
O próprio cantor tece uma possível resposta à questão: "Se nós realmente vamos avançar nesta questão, temos que transpor esse estágio de embaraço e desconforto sobre o tema do racismo e conversar sobre isso. E como pessoas brancas, temos que ouvir. Temos que direcionar a atenção para as pessoas negras que estão se mobilizando, ouvi-las e tomar alguma direção".
E discorre melhor: "Estava conversando outro dia com pessoas que disseram que 'o silêncio é uma ação'. É meu privilégio poder permanecer calado sobre esse problema. Estou cansado de continuar calado sobre isso. Fiquei calado por muito tempo. Não queria estragar tudo. Não queria ofender ninguém. Mas é imperativo que nós tenhamos essa conversa sobre raça nos Estados Unidos se queremos progredir... Falar sobre racismo é desconfortável. Nós brancos podemos simplesmente desligar a TV quando nos cansamos de falar sobre racismo".
Um dos entrevistadores, perguntou sobre como sua cor de pele afetou a percepção acerca da indústria musical: "Se um rapper negro tivesse feito 'Can't Hold Us', a canção teria o mesmo sucesso?".
"Não posso ir tão longe, mas diria isso... Porque estou tão seguro? Por que posso xingar e ter um adesivo de 'Parental Advisory' no meu disco e os pais dizem coisas como 'Você é o único rapper que deixo meus filhos escutarem'? Por que eu posso usar um capuz e não ser visto como um ladrão? Por que posso usar minhas calças abaixadas e não ser visto como um membro de gangue? Por que estou no sofá do programa da Ellen DeGeneres? Por que estou no Good Morning America? Se eu fosse negro, como meu problema com drogas pareceria?" respondeu Macklemore.
E aplica o raciocínio ao contexto fonográfico: "Os pais compram seu álbum porque veem seu rosto... Para mim o privilégio na indústria musical é um sintoma do privilégio na sociedade norte-americana como um todo. É apenas um subproduto. As pessoas me veem e se identificam comigo - e a América é predominantemente branca - há uma ligação aí".
O cantor também analisa como o público norte-americano digeriu sua imagem de uma forma injusta à cultura do hip-hop. Ele afirmou "Eu sou o cara de 'Same Love' que luta pela igualdade de todos. As pessoas dizem 'Essa é a primeira vez que ouço um rapper falar sobre igualdade! Nossa, ele é herói!'. Me colocam nesse rótulo de herói. Quando isso acontece é por conta do meu privilégio. O meu privilégio branco".
A entrevista também se voltou para o infame fato de ter tornado público o SMS que mandou a Kendrick Lamar após o último Grammy e ele foi bem direto: "Eu cometi um erro. Um monte de coisas estavam acontecendo. Muito medo estava sendo sentido naquele momento".
Outro ponto espinhoso levantado, lógico, foi como Iggy Azalea se portou em resposta à discussão: "Não vou entrar no mérito de como ela respondeu a questão, mas é importante saber ouvir e ser humilde. Há todo um debate aqui, mas esta não é a minha cultura, para começar. (...) Tudo bem ferrar com tudo e ser uma parte da experiência humana, mas você deve ter conhecimento sobre isso. Você deve ser responsável pelo seu erro".
quedelicianegente.com
Macklemore falou pelas verdades e é nisso que ele se mostra superior a Iggy, ele tem consciência de seu lugar no mundo e das coisas que andam acontecendo. Já disse antes, uma pessoa ser branca e cantar rap é tudo ok, é uma forma de expressão artística, mas que graças a seu contexto merece respeito.
ResponderExcluirTenho nojo de quem fala de "privilégio da cor branca"
ResponderExcluirnunca viram uma porra de um mendigo de pele clara. procure fotos no google
ganho uma porra de um salario minimo que mal da pra pagar o aluguel. Por eu ter cabelo liso e olhos verdes dizem que eu tenho privilégios. vao se fuder
Não é nossa culpa que você não é capaz de ter um emprego ou um desempenho melhor no seu emprego atual que te dê direito a um maior salário. Mas privilégio branco existe sim, meu caro, e não tem nada a ver com o seu salário.
ExcluirAh, em caso de dúvidas, leia esse artigo "explicando o privilégio branco para uma pessoa branca e quebrada":
Excluirhttp://www.huffingtonpost.com/gina-crosleycorcoran/explaining-white-privilege-to-a-broke-white-person_b_5269255.html
Isso é, caso você entenda inglês... já que até no português você cometeu alguns erros.
João, classicismo e capacitismo não ajudam. Criticar a escolaridade ou a suposta capacidade de alguem em conseguir um emprego bom (como se isso dependesse apenas de vontade ou capacidade própria) de alguem não adiciona nada ao conhecimento dele sobre o tema, pelo contrário. Por mais egoísta que a pessoa em questão seja, quando você faz tal coisa você ajuda a disseminar outra forma de discriminação, que vai atingir outras pessoas alem dessa. E ao fazer isso, você também esta se abusando de um privilegio, já que você provavelmente tem uma escolaridade boa graças a oportunidades que teve.
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