
Ontem de manhã Shakira lançou o clipe "La La La (Brazil 2014)", música sua presente no álbum oficial da Copa do Mundo. No início da tarde, Woodkid postou em sua página oficial no Facebook uma imagem comparando frames do vídeo com o seu "Iron" e a seguinte legenda: "Iria apenas de sorrir e até ficaria lisonjeado se isso realmente fosse um clipe da Shakira e não o comercial de um grande grupo comercial como a Danone".
Na hora, até comentamos numa breve notinha sobre o ocorrido, mas realmente não achamos que o assunto teria tamanha repercussão. Tanta, que foi a válvula para falarmos, na coluna Papo, sobre coisas que queremos abordar há algum tempo. Mas comecemos pelo motivo do barulho: a tênue linha entre cópia e inspiração.
"La La La (Brazil 2014)" da Shakira (2014):
"Iron" do Woodkid (2011):
Definir se algo foi copiado ou inspirado em outro "algo" é muito complicado, principalmente em artes e entretenimento, onde absolutamente tudo já foi feito. Não existe uma fórmula mágica, é preciso levar em consideração todo o contexto. Talvez o máximo que conseguimos chegar num consenso genérico para não considerarmos plágio seria: quando a inspiração é tão aberta e clara e/ou creditada, a ponto de ser vista como homenagem. Ou quando elementos do material-base são utilizados misturados a outros, gerando um novo resultado.
Podemos dizer, por exemplo, que o próprio Woodkid parece ter se inspirado nas obras Georges Méliès e no filme/livro Onde Vivem os Monstros para o seu "Run Boy Run", não?
Sendo assim, "La La La (Brazil 2014)" é plágio? A gente acha que não. Pode ter passado bem perto, pois está claríssimo que os produtores do vídeo utilizaram várias ideias de "Iron", mas as exploraram de maneira muito diferente. Um tem tema de Copa, outro de Guerra; um é preto e branco, outro coloridíssimo; um tem suaves e lentas passagens de cenas, outro edição frenética; e por aí vai.
Para terem uma noção ilustrada da diferença, separamos dois outros vídeos, um da banda country The Band Perry e outro do cantor chinês Han Geng, que talvez possam sim ser consideradas cópias de "Iron" (principalmente o último):
"DONE." da The Band Perry (2013):
"Kuang Cao" do Han Geng (2012):
A polêmica nos leva ao segundo assunto da coluna: a maldita mania das pessoas menosprezarem o que não conhecem. Basta olhar os comentários de nosso post no Facebook ou nos dos vários sites que postaram sobre logo depois, e ver as chuvas de comentário do tipo "Woodkid who?", "Quem é Woodkid na fila do pão?"...
Bom, se nos acompanha, já o conhece, mas se não: ele é um músico e diretor francês, cujo nome real é Yoann Lemoine. Além do próprio projeto musical, do qual "Iron" saiu, ele ~simplesmente~ é o responsável pela direção de "Teenage Dream" da Katy Perry, "Happy" do Pharrell, "Back To December" da Taylor Swift, "Born to Die" e "Blue Jeans" da Lana Del Rey e "Take Care" do Drake e Rihanna.
Logo, é bastante conhecido no meio fonográfico e áudio-visual. Você não conhecê-lo não o faz menos importante, bem como não faz com que as pessoas envolvidas na produção do clipe da Shakira não o conheçam.
Mesmo que, de fato, houvesse plágio (e não achamos que há), expô-lo não significaria necessariamente diminuir o trabalho da colombiana. Tratando-se de uma produção patrocinada pela Danone e Fifa, é bem provável que ela nem esteja envolvida no processo criativo. E mesmo se estivesse, e mesmo se realmente fosse uma cópia, ser "mais conhecida" que Yoann não mudaria a questão. Não há prêmios ganhos ou CDs vendidos que a livrariam da responsabilidade. Rihanna, por exemplo, teve que entrar num acordo judicial com o fotógrafo David LaChapelle por causa do clipe de "S&M".
Nossos leitores mais fieis sabem que não temos essa divisão entre os status "artista famoso" e "artista não famoso". Em todos os casos, procuramos contextualizar o máximo possível de nossas matérias, citando e linkando datas, nomes e materiais anteriores, para tornar mais fácil pra quem quiser se aprofundar. Mesmo assim, é incrível a quantidade de comentários que recebemos rotineiramente sobre informações, muitas vezes, ali presentes no post.
É engraçado como esse mix de vida corrida e internet nos deixa preguiçosos. Quem nunca foi direto ao conteúdo principal de algo, só lendo o título e fazendo leitura dinâmica (ou às vezes nem isso) do demais, que atire a primeira pedra. Não há problema nisso, desde que você não faça comentários e críticas deslocadas sem ao menos ter se dado ao trabalho de ler e interpretar.
O mesmo serve para quem comenta "who?" com tom de desprezo. Não, ninguém é obrigado a conhecer todas as bandas, artistas, filmes, livros, séries, ou seja-lá-o-quê do mundo. Mas não se pode fazer desse desconhecimento um argumento de ataque (até porque não há lógica nenhuma nisso). O irônico é que a própria internet também nos dá ferramentas, a distância de poucos cliques, para achar facilmente informações sobre aqueles/aquilos que não conhecemos.
Então que tal dar uma entradinha básica no Google e Wikipedia, antes de passar vexame criticando algo que desconhece, da próxima vez? Afinal, a ignorância está desde nas coisas banais, como não gostar de comer algo que nunca experimentou, até em coisas importantes, como na raiz de terríveis preconceitos. E outra, o "who" de ontem, pode se tornar a estrela mundial de hoje, com Grammys e outros prêmios na prateleira, né Lorde?
quedelicianegente.com
Adorei o Texto, expressa meu Pensamento. Amo QDNG <3
ResponderExcluirFalou tudo o/
ResponderExcluirQDNG ♥
ResponderExcluirPra quem comentava "Who?" eu colocava "Internet é Mais que Xvideos, usa pra se informar fofo(a)"
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