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Retrospectiva 2016 Pt. 3/6: maiores hits, melhores singles e revelações musicais



Depois de falarmos dos melhores clipes e melhores álbuns, a nossa Retrospectiva 2016 fecha o assunto "música" com os maiores hits, melhores singles e revelações musicais do ano.

Vale lembrar que, embora a categoria "Hits" esteja mais ligada ao fator numérico e aos charts, também levamos em conta a nossa percepção do que fez sucesso dentro dos nichos musicais abordados no site. Quanto aos "Singles", analisamos a qualidade e a importância de seus lançamentos. E nas "Revelações", os novos artistas ou grupos que deram o que falar.

Crítica: MC Carol lança “Bandida” para deixar sua marca por todo lugar



Aos poucos, MC Carol ganha mais espaço na mídia brasileira. Depois de participar do reality-show Lucky Ladies, da Fox Life, e mostrar sua personalidade, a funkeira caiu nas graças daqueles que não a conheciam e reforçou sua presença para os admiradores. De lá pra cá, a MC lançou algumas músicas inéditas e viu outras canções passadas retomarem espaço. Um dos casos foi de "Meu Namorado É Maior Otário", que virou hit na internet com seu clipe caseiro e letra sincera.

Todo esse contexto fez com que Bandida, um CD da cantora, ganhasse vida. À parte de ser um álbum somente com material novo, o registro traz duas releituras de algumas músicas lançadas anteriormente. Não foi dessa vez que recebemos algo totalmente inédito, mas talvez esse seja um bom esforço comercial que pode abrir portas tanto para Carolzona quanto para outros artistas, já que acompanha uma produção apurada.

Qualquer que seja o caso, o que vemos no CD é uma potência musical que resume MC Carol. A funkeira de Niterói está presente em toda parte. Ela canta sobre o que conhece, expressa sua marca e ainda nos mostra repetidamente a cultura sonora e sócio-política que possui. Vemos isso logo na primeira faixa, "Nâo Foi Cabral (Heavy Baile Remix)". É estranho abrir o material com um remix, mas a canção une vários universos nos seus quase 4 minutos: temos uma discussão política-histórica vestida com um som pesado e pronto para os bailes. É maravilhoso imaginar a força desse material tocando em várias festas.

Recebemos outras doses assim em mais duas músicas. A maravilhosa "100% Feminista", com Karol Conka, é dura e crua ao colocar com todas as letras como o feminismo deve fazer parte do cotidiano de todas as pessoas. O dueto vai mais além ao apontar discussões de como alguns atos de mulheres trazem um entendimento arraigado sobre o movimento social sem passar por discussões acadêmicas inacessíveis e, muitas vezes, classistas. Carol resume perfeitamente isso em dois versos: "Sou mulher independente não aceito opressão / Abaixa a sua voz, abaixa a sua mão".



MC Carol se junta à Karol Conka na (sonora e liricamente) ótima “100% Feminista”



Depois de apontar os malefícios da colonização em "Não foi Cabral" e racismo e violência em "Delação Premiada", MC Carol está de volta, ainda mais politizada em "100% Feminista".

Lançada nesta quinta-feira (06), dia em que a cantora faz aniversário, a música é uma parceria com ninguém menos que Karol Conka e tem um forte teor de empoderamento feminino e denúncia dos abusos que as mulheres sofrem, desde pequenas, em nossa sociedade machista.

E como o que é bom pode ficar ainda melhor, além da ótima letra e do potencial desse encontro de "Caróis", a música ainda tem um arranjo contagiante, todo trabalhado no urban. Pudera, a produção é de Leo Justi e Tropkillaz, queridinhos da MC carioca e da rapper curitibana, respectivamente. Ouça abaixo:


quedelicianegente.com

Ouça o poderoso e politizado novo single de MC Carol, “Delação Premiada”



Não foi só de lançamento gringo que a agitada noite de ontem para hoje foi feita. MC Carol também lançou a forte e crítica "Delação Premiada".

A letra do funk fala da violência policial contra a população da favela e das periferias do país. Mc Carol compara os privilégios dos ricos ao serem presos, contra as humilhações, agressões e assassinatos de pobres.

Com trechos de reportagens e questionamentos diretos, Carol, lançou o material mainstream mais intenso e político desse ano. Além da excelente letra, a produção que ficou sobre a responsabilidade de Leo Justi, que confirmou presença no próximo álbum da M.I.A., também é de extrema qualidade.

E para enriquecer mais ainda a mensagem e o contexto em que foi lançada (vide o que está acontecendo nos EUA), a obra recebe esse nome de "Delação Premiada", extremamente em voga devido a, investigação dos casos de corrupção, Lava-Jato.



Não é a primeira vez que a carioca lança um material com teor crítico. "Não foi Cabral", lançada ano passado, fala sobre a história do Brasil, questionando a sua origem e as vidas que foram dizimadas durante o processo de colonização portuguesa.

Que a coragem e a qualidade desse lançamento inspire outros artistas e que a nossa Mc favorita continue produzindo preciosidades politizadas!
quedelicianegente.com