Filmes de superherói basicamente viraram um gênero dentro da indústria hollywoodiana de blockbusters. Um híbrido de ação, aventura, drama e, por um bom número de ocasiões, uma pitada generosa de comédia e romance ganham forma nos músculos de figuras muitas vezes já conhecidas do grande público. Deadpool aparece para bagunçar, mais ou menos, esses rótulos pré-estabelecidos em busca de algo original.
A história não é nada complicada. O mercenário Wade Wilson (Ryan Reynolds) faz seu trabalho até conhecer Vanessa (Morena Baccarin). Sua vida passa a se dividir entre matar caras malvados e cultivar a relação com sua amada. Tudo anda bem até que ele descobre estar com câncer terminal e vai parar em um laboratório comandado por Ajax (Ed Skrein). Wade participa de um projeto que cria mutantes e acaba desconfigurado, mas ganha poderes incríveis de regeneração (até membros crescem do rapaz!). Quando é deixado para morrer, sua motivação é se vingar de Ajax por ter acabado com sua aparência.
O diretor Tim Miller pega esse enredo e consegue imprimir em cada cena o DNA do personagem principal. O filme tem cortes concisos e decisões super acertadas, como deixar as famosas quebras da quarta parede apenas para quando Ryan Reynolds já se considera Deadpool. Wade Wilson não tem essa capacidade e essas escolhas nas sequências dão ainda mais dinamismo para o filme, que trabalha seus 108 minutos sem deixar cair o ritmo hora nenhuma. Toda a estética de quem já conhece o Mercenário Tagarela também está bem colada na produção. A coragem e aposta da Fox de permitir os grafismos de violência aparecerem sem medo contam muito para que essa adaptação não deva nada ao seu material base.












