Crítica: entre recomeço e afirmação, Jessie tenta traçar seu caminho em “Sweet Talker”



Jessie J é um caso que, assim, não sabemos direito onde colocar o pé. A gente sabe que ela é uma ótima compositora, uma incrível intérprete (que às vezes cruza demais a linha com suas firulas vocais), uma artista super divertida, mas ainda assim ficamos um pouco "E aí, Jéssica, o que cê manda?".

Seu novo álbum, Sweet Talker, tenta nos mostrar um pouco mais dessa persona que chegou em nossas vidas só há três anos e que parece não saber exatamente onde se encaixar. Seja na indústria da música como um todo ou em nossos iPods.



"Bang Bang", por exemplo, é uma canção absurdamente boa. Com a produção de Max Martin e chamando Ariana Grande e Nicki Minaj, Jessie entrega a sua versão de girl power e mostra que poder feminino não falta nunca. A música é a explosão do registro, obviamente, então sobra para as outras 14 faixas reforçarem a imagem de J.

"Personal" e "Fire" traçam bem claro esse caminho. A primeira com seu violão e ar acústico é uma entrega interpretativa e tanto, já que não tem dedo na moça na composição. A segunda segue quase para o mesmo lugar, mas seus violinos e pianos não são suficientes para fazê-la crescer. A repetição da "temática do fogo" - presente na ótima e sexy "Burnin' Up", com 2 Chainz - também parece ser bem tosca.

Jessie passa, inclusive, outra vez por esse aspecto. "Ain't Been Done" com toda sua produção maximizada (tem rap inspired no início, um monte de coro, percussão e por aí vai) abre Sweet Talker batendo na tecla de que agora a mulher veio pra recomeçar e fazer direito. O mesmo se repete em "Masterpiece", com seu violoncelo introdutório e desenvolvimento meio eletrônico. Vamos ressaltar aqui que essas duas músicas também não foram compostas por Jessie (que colocou seu lápis em 8 faixas, incluindo as três da versão deluxe). Não é engraçado que uma compositora tão boa quanto ela precise de outras pessoas (ou não tenha ajudado) para dizer sobre esse momento de sua carreira?

Ainda no standard, sobram "Seal Me With A Kiss" (feat. De La Soul) e "Keep Us Together". Enquanto a primeira se diferencia muito dentro do contexto com seu funky, a outra é um pop r&b meio sem personalidade, e ambas poderiam ter ido para o final da tracklist deluxe só como fanservice. Falando nessa versão, quase todas canções ali são lugares comuns pra Jessie.

O pop r&b e o pop rockzinho dão as caras em "Your Loss I'm Found" e "Strip", respectivamente. Logo, o lugar de posicionamento dessas duas faz sentido dentro do contexto. Contudo, não poderíamos deixar de lamentar que "You Don't Really Know Me" não tenha entrado na parte principal do álbum. A música traz uma sinceridade muito bem-vinda, junto com seu violão.

Esse lado mais honesto que encontramos sem dificuldades nas baladas da moça também é demonstrado antes. A faixa-título, por exemplo, tem uma estrutura fácil, gostosa e é impossível não ficar com "talk to me, oh, yeah" na cabeça por dias. "Said To Much" e "Loud" seguem na mesma linha. A última, com participação da violinista Lindsey Stirling, tem uma interpretação bem dosada e certeira. É Jessie começando a entender que suas firulas podem ficar no escanteio de vez em quando. E pra arrebatar o coração dos mais fracos (nós), tem "Get Away". Cai uma lágrima do olho esquerdo só de lembrar.

Sweet Talker é um bom álbum e seu problema, que não é pequeno, é se confundir perante sua aposta principal: quer demarcar o lugar de Jessie na música ou deixá-la evoluir aqui e ali? Qualquer que seja a escolha, por que não dar mais liberdade criativa para o lado letrista da moça? Imposição da gravadora ou escolha dela? O mais incomoda é que perguntas assim não deveriam ser feitas na altura do terceiro registro de um artista. Por sabermos, porém, da capacidade da linda, não é de todo desconfortável. Afinal, tem gente que tá perdido há bem mais tempo e ainda continua tentando. Só esperamos que não demore muito pra ela se achar.


quedelicianegente.com

2 comentários :

  1. Ao comparar esse álbum com o primeiro da carreira da Jessie, fiquei triste. Quando conheci a Jessie, ela recém havia lançado seu primeiro álbum, e eu pensei que havia encontrado o que estava faltando na música pop atual. Mas daí ela lançou o segundo disco, se distanciando mais da proposta inicial. O terceiro é justamente uma aposta, ela fez o tipo de música que a indústria quer vender.

    Ela é vocalmente e tecnicamente, na minha opinião, uma das melhores cantoras de pop da atualidade. Não dá pra discutir isso. Poucas cantoras, talvez a Sia, tenham essa potência vocal. As músicas dela, de todos os álbuns refletem isso, principalmente as versões acústicas que ela faz para os hits mais dançantes. Talvez esse CD seja para construir carreira, já que os dois anteriores não consolidaram seu nome. Mas mesmo assim, sinto falta da Jessie do primeiro álbum.

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  2. Acho essa mulher irritante e sem personalidade, todo verso que ela canta é cheio de vibrato e parece q eu tô sempre num terremoto ouvindo ela, jeito de caloura de programa musical eternamente, devia ter continuado nos bastidores compondo (e isso q se já ouvi, não sei de nenhuma música q foi ela quem escreveu).

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