Crítica: “O Homem de Aço” é a promessa de amadurecimento de Snyder (e da Warner)



Estreou, finalmente estreou O Homem de Aço aqui no Brasil. Depois de uma espera angustiante podemos nos deliciar com o novo Superman (quem foi esperto foi nas sessões especiais que alguns cinemas tiveram há duas semanas, quem não tive dinheiro: no money, no funny).

Nele, Clark Kent (interpretado pelo maravilhoso Henry Cavill) se encontra no meio de uma busca para descobrir sua identidade. Ele deve aprender o alcance de seus poderes e escolher que tipo de homem será. Quando uma ameaça kryptoniana surge na Terra, Clark terá que se posicionar como o salvador do planeta para proteger seu lar e as pessoas que ama.

Com o primeiro super-herói nas mãos, Zack Snyder teve uma enorme responsabilidade. É um personagem datado, absurdamente altruísta, desgastado, tudo o que leva muita gente a taxá-lo de brega. E, olha, pode ir para o cinema com todo seu julgamento prévio, porque você será vencido.

Só não vá esperando algo altamente divertido e leve, porque essa não é a abordagem aqui. Sente-se o tom da película desde as primeiras notas da minuciosa trilha sonora de Hans Zimmer e pela fotografia de baixa saturação que o permeia. Isso é ótimo porque diferencia O Homem de Aço de muitos blockbusters do gênero, amadurece seu público e não joga vermelho, azul e verde gritando no seu rosto. Mas também é arriscado. Porque se foram lá, tiraram uma fucking cueca vermelha do cara e ainda hoje tem nerd reclamando, haja paciência. Podiam tirar até a capa (ela é especialista e concorda com a gente).



Nem por isso que deixa de ser um filme que entretém, de maneira nenhuma. A preocupação com Krypton, seu habitat, suas criaturas, é de tirar o fôlego. A cena em que Jor-El (feito pelo também maravilhoso Russel Crowe - aliás, Amy Adams, Michael Shannon, Diane Lane, todo o elenco é maravilhoso) explica para seu filho o que aconteceu com seu planeta natal, é de uma tecnicidade inquestionável. A pancadaria também está em níveis estratosféricos. Com um trabalho extremamente apurado de mixagem de som, a grandiosidade de socos e chutes cresce a cada minuto. Mas se pra você entretenimento tem que ter piadinhas e alívios cômicos, também tem. Só que, infelizmente, muito mal encaixados, fracos e completamente desnecessários.

Com o paralelo messiânico mais óbvio impossível (tem um vitral enorme de Jesus Cristo atrás de Clark quando ele questiona se deve ou não se entregar pela salvação do mundo, entre outras características pontuais), o longa se firma bastante em questionamentos palpáveis. Do lado dos espectadores não importa a religião de ninguém, só o fato de que, como seres humanos, somos guiados a confiar em algo. Seja em alguém, um ser celestial ou um alienígena, no caso das pessoas de Metrópolis, sempre acreditaremos. E é na primeira parte do filme, quando Kent viaja os Estados Unidos porque quer encontrar seu lugar no mundo, que mais nos identificamos com Superman.

Em uma das cenas, um personagem diz que "Às vezes é necessário primeiro um voto de fé, para só depois ganharmos confiança”. O Homem de Aço é, finalmente, nosso voto de fé tanto em Snyder, quanto no primeiro super-herói da história.


quedelicianegente.com

Um comentário :

  1. Gostei muito do filme, como você disse na crítica eu achava o Super um personagem bem chato e brega, mas esse filme mudou totalmente a minha forma de ver o filme. Concordo com tudo o que disse, ótima crítica.

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