Lady Gaga em São Paulo: um show onde até os telões pularam!



Tá que eu demorei para postar sobre a Born This Way Ball em São Paulo (devido a alguns problemas técnicos), mas não podemos deixar um evento tão importante passar em branco sem nenhum comentário.
Assim como a Beth Ditto do The Gossip e Shirley Manson do Garbage em seus shows no Planeta Terra, Lady Gaga, tanto no Rio de Janeiro, quanto em São Paulo, fez questão de ressaltar o quanto o público brasileiro é apaixonado, caloroso e participativo. Por diversas vezes, em todas as pausas para diálogo com o público, a artista não se cansou de agradecer a recepção que teve em solo tupiniquim e, por mais que às vezes a eloquência da Mother Monster parecesse um tantinho ensaiada, ficou claro que a conexão estava ali:

Desde que cheguei não dormi direito porque fico acordada fazendo música, bebendo, fazendo novos amigos e olhando pela minha janela e sorrindo. Fiz muitas músicas aqui. Obrigada por me convidarem e, se me convidarem de novo, prometo fazer mais músicas."

O show de São Paulo começou com meia hora de atraso, pouco depois das 21h - quando a chuva que caía sobre o Estádio do Morumbi cessou - e a cantora manteve o fôlego durante as 2h45min de espetáculo que se seguiram, num ritmo intenso de trocas de figurino (pelo menos 18) e de coreografias já conhecidas na maior parte das músicas, tudo isso sob o mormaço tropical da capital paulista.
Contrariando o senso comum de que shows pop são engessados, o público paulista pediu e, além do setlist habitual, Gaga improvisou "The Queen" - acompanhada do arranjo mal ensaiado da banda que teve que se virar nos 30 - além de "Princess Die" que já não é uma grande novidade na turnê.



O "culto ao papai"
A Born This Way Ball tem seu início quando a cantora surge acompanhada de sua montaria apocalíptica ao som de "Highway Unicorn (Road to Love)", arrancando uma gritaria animada com seu cosplay de Alien, passa por "Government Hooker", mas explode mesmo em "Born This Way", quando ela surge em seu vestido de látex minimalista a la Grammy, parida por uma vagina gigante com zíper oculto. (Pelo vídeo acima já dá pra você sentir a "recepção fria" do público... tá bom pra você, Veja?)
A opera pop idealizada especialmente para os little monsters segue numa narrativa desconexa (como todos os vídeos em péssima qualidade que já havíamos visto no Youtube sugeriam), abrindo espaço para o seu renascimento (dessa vez através do ovo) e para o ocultismo bafomético de "Bad Romance", seguido do origami rosa e teenager de "Fashion Of His Love", do momento motoca intimísta de "Hair", da sessão açougue iniciada por "Americano" e do militarismo de "Alejandro" e "Scheiße".
No entanto, ao vivo, o castelo antes percebido como cafona nas gravações amadoras, ganha novas proporções, se movimenta, ganha vida. Os momentos desconectados passam a fazer mais sentido enquanto correspondem diretamente à costura pós-moderna de seu último álbum, confecionado sob a recombinação pouco provável entre o pop eletrônico, o rock clássico e a disco dos anos 80, que nas metáforas visuais foi de encontro às representações alienígenas e às imagens pagãs evocadas exaustivamente pelo metal.



Quando percebemos, já estamos imersos no ritmo da produção, tanto que as saídas estratégicas da cantora antes das músicas acabarem mal nos incomoda. Somos cativados pela persona de  Gaga (ou pela persona que ela inventou?) que, ao contrário do comportamento excêntricozzzzz exposto pela fantástica imprensa brasileira, transborda felicidade e despreocupação em cima do palco. Ali percebemos o quanto, por trás de todos os figurinos assustadores e da temática essencialmente obscura, Lady Gaga é real: diante do público dedilha despretensiosamente algumas notas no teclado, segura até mesmo as faixas mais rápidas no gogó, acolhe seus seguidores e ainda aguenta educadamente o impacto de objetos não identificados presentes.
Um show para ser relembrado, tanto pelos little monsters quanto pelos apreciadores que, revisitando seu repertório, provavelmente se apaixonaram novamente pelo trabalho da cantora. Eu pelo menos não vou esquecer que esse foi o primeiro show em que vejo as câmeras responsáveis pelas imagens do telão pularem no mesmo ritmo que todo o estádio.



Hoje acontece o último show da turnê em Porto Alegre.

Confira a setlist completa do show feito em São Paulo:

1. Highway Unicorn
2. MG: Escape + Hooker
3. Government Hooker
4. Born This Way
5. Black Jesus
6. Bloody Mary
7. MG: Manifesto 1
8. Bad Romance
9.Judas
10. Fashion Of His Love
11. Just Dance
12. Love Game
13. Telephone MG: Manifesto 2
14. Heavy Metal Lover
15. Bad Kids
16. Hair
17. The Queen
18. Princess Die
19. Yöu & I
20. Electric Chapel
21. Americano
22. Poker Face
23. Alejandro
24. Paparazzi
25. Scheiße
26. The Edge Of Glory
27. Marry The Night
www.quedelicianegente.com

4 comentários :

  1. é 'born this way ball', e eu fui na do rio, curti tanto que se pudesse iria nos outros dois shows. ela é maravilhosa ao vivo, gostaria que ela tivesse cantado 'the queen' no rio tbm, mas pelo menos tivemos 'cake' como presente. <3

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  2. O MELHOR SHOW QUE EU JÁ VI!!! E olha que eu já fui em vários e não sou 'LM'... A Mulher é um monstro no palco. Vocais maravilhosos e a interação fala por si só. Quem falou mal desse show, deve ser porque gosta mesmo é de assistir sertanejos em clima mínimo de produção e com muita choração, nos economizem. Beijos recalque.

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  3. Eu fui no Rio, e com certeza foi o melhor show da minha vida, muito emocionante e "elétrico"!

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  4. Agora tem que fazer um post sobre o show de PoA, onde uma garota subiu no palco em Hair e arrasou cantando Yoü And I com a Gaga!!!

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