
Lea Michele é sem dúvida quase uma marca no showbizz. "Quase" porque, convenhamos, ela só é essa Brastemp toda em Glee, pelos olhos de Ryan Murphy (atenção: isso não quer dizer que ela não seja uma boa atriz e cantora). E daí que para crescer a imagem de Lea, temos seu primeiro álbum de estúdio.
Louder aparece como meio de transformar Michele em uma estrela pop, não só uma atriz de TV pop. Se vai conseguir é assunto pra daqui algum tempo. Com base só nesse material, não dá pra almejar grandes feitos desse álbum.
Essa sensação é extremamente bem mascarada com as duas primeiras canções do material. Dar o pontapé com uma composição de Sia (e escolher ela como primeiro single) em "Cannonball" foi certamente uma boa escolha. A qualidade de intérprete de Lea Michele aqui é muito boa, assim como em "Battlefield", que possui uma letra tão bela quanto, se não mais. Em seguida temos "On My Way", que é extremamente radiofônica e up tempo (e um pouco clichê, não vamos negar).
Depois disso as coisas começam a definhar bastante. Temos um apanhado de músicas que soam extremamente datadas, como se tivessem vindo diretamente do começo dos anos 2000. Letras que querem aparentar simplicidade mas que são apenas fracas, como em "Burn With You" e "You're Mine"; produção que não quer se arriscar de modo algum, como vemos em "Louder" (que não merecia mesmo ser faixa título) e "Don't Let Go". Enquanto, dentre essas, "Cue The Rain" se destaca um pouco, "Thousand Needles" é, sem dúvidas, o ponto fraco do debut.
Ao menos no final, temos duas demonstrações de que nem tudo precisa parecer massante e repetitivo. "Empty Handed" sobe consideravelmente o nível das composições. Também, com uma mãozinha dos versos de Christina Perri quem não conseguiria, né gente? Mas, surpreendentemente ou não, é com "If You Say So" que o álbum ganha sua estrela dourada. A música é tudo o que "You're Mine" quis ser e passou longe de conseguir. É simples, sincera e recebe uma interpretação de apertar, literalmente, o coração. A repetição de "seven whole days" consegue mostrar, sem firulas, o quanto Lea quer dividir com seu público.
Infelizmente são poucas as produções que se destacam. Elas quase nos fazem esquecer da monotonia de antes, verdade, mas não chegam a tanto. No final, Louder é só mais um álbum fragmentado, assim como a imagem de Michele. Ele te dá esperanças de um potencial escondido e faz a besteira de tentar dividir para conquistar.

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