Rewind Review: Selena Gomez e a grata surpresa de seu “Stars Dance”



Ontem explicamos que esta será a semana das críticas de importantes álbuns de 2013, "atrasadas", devido a falta de tempo. Vocês já leram o que pensamos sobre o Bangerz, de Miley Cyrus e agora chegou a vez de falarmos um pouco do Stars Dance, uma das surpresas desse ano.

O quarto registro de estúdio de Selena Gomez não estava envolto de expectativas monstruosas, contudo, isso não quer dizer que não houve curiosidade para saber como a mocinha se sairia sem a The Scene, banda que a acompanhou em seus outros materiais.

O CD mergulha de cabeça no dance e no eletrônico, sonoridade em que, desde sua estreia, se deu melhor (basta comparar "Naturally" e "Falling Down"). Por isso, foi lá, se cercou de um time de produção competente e fez um disco surpreendente.

Por favor, tenham em mente que por "disco surpreendente", não queremos necessariamente dizer que é a frente do seu tempo e extremamente original. Pelo contrário, ele é sim bastante clichê, mas clichê do tipo: não importa se a lição de moral é a mesma, e sim como a fábula foi contada. O single "Slow Down", inclusive, é um ótimo exemplo (incluindo seu clipe).



Dito isso, dá pra afirmar que "Birthday" é o melhor modo de abrir o álbum. Essa Selena safadinha, que geme, bate o pé e diz que a festa é dela te pega de surpresa. Idem na escolha de "Star Dance" como faixa-título, que acerta em ser mid-tempo e na inserção marota de ótimos violinos, se tornando, praticamente sozinha, um ponto de equilíbrio.

Assim, "Like A Champion" e "Come & Get It" se destacam bastante na tracklist. Mas isso não é algo ruim. Com a mistura de ritmos que as duas canções oferecem, carregam a afirmação cabal de que Stars Dance é pra se divertir. Mesmo que fujam um pouco do core do álbum, não chegam a descaracterizá-lo.

"Forget Forever", por sua vez, funciona como uma bem-vinda diminuição na velocidade, na mágoa exposta ("our love was made to rule the world / you came and broke the perfect girl"), em contraste às batucadinhas do pós-refrão.

Em seguida, "Save The Day" - com sua cara de "Skol Sensation": coxinha, mas viciante e guilty pleasure - apresenta uma guinada necessária ao ponto alto, representado pelo batidão "B.E.A.T.". O duplo sentido da letra, safadeza evidente, inserção de uma batida de coração, bridge (um dos melhores do disco), são amor à primeira audição.

Como nem tudo são flores, temos "Write Your Name" que, se comparada às demais, fica abaixo da média. Além de cortar o clima do que poderia ter sido uma ótima sequência, com "Undercover". Essa, por sua estrutura irregular, consegue mostrar as nuances da voz da cantora.

Caso consideremos a versão deluxe da Target, a partir de "Love Will Remember" as coisas ficam um pouco bagunçadas. Ela, por exemplo, não se encaixa na proposta geral e poderia estar somente na fan edition, onde temos "Nobody Does It Like You", recuperando um pouco o ritmo para um ponto final que, talvez, devesse ser invertido entre e "Music Feels Better" e a tímida "I Like It That Way", com a filler "Lover In Me" no meio.

Mesmo com esses problemas organizacionais, Stars Dance é um álbum que tem seu mérito. Afinal, nele a artista parece compreender melhor seus limites vocais, encontrando um lugar confortável no gênero musical escolhido e, com isso, atingindo um resultado inesperadamente positivo. Agora é torcer para que Selena cresça dentro dessa escolha ou que aposte, e acerte novamente, em outros caminhos.


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