
Nota: contém spoilers. Só que não faz tanta diferença já que todo mundo sabe o que acontece em Amanhecer, né gente? E mesmo se não soubesse não seria difícil adivinhar...
Você não sabe o quão irritante algum momento da sua vida pode ser até que assiste A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 1 na pós-estreia. O filme que estreou ontem nos cinemas de todo mundo é a penúltima parte da saga literária Crepúsculo, iniciada em 2005 por Stephenie Meyer. De forma sucinta, nesse episódio Bella e Edward se casam, ela engravida e vira uma vampira. Depois da introdução que serve só para quem vive fora desse mundo, vamos à crítica.
Comecemos pelos lados positivos, já que são pouquíssimos. Quer dizer, já que é só um. A produção do filme é impecável. Palmas para eles? Nem tanto. Bom, qualquer película que tenha um orçamento milionário deve, ao menos, conseguir atender a esse quesito. Mas como seria possível conseguir estragar o longa mesmo com muito dinheiro, vamos dar um
like para os produtores. Você pode reparar o cuidado que tiveram com os cenários, por exemplo. Qualquer pessoa que sonha em se casar mataria por uma decoração minuciosamente perfeita – desenvolvida por Alice
Twiggy – à do casamento de Bella Swan. E quem não gostaria de passar a lua de mel em uma ilha paradisíaca com uma casa paradisiacamente rica? Além de que o emagrecimento de Bella durante a gravidez é de arregalar os olhos. Nessas cenas você enxerga uma pessoa que morreu e não foi enterrada.

Só que como nem todo caminho é de flores, grandes pedras estão por ali. Vamos falar do elenco principal, primeiramente. Em mais da metade do filme Robert Pattinson parece ler uma lista de compras feita pela mãe dele. E o pior, ele nem mesmo arregala os olhos quando percebe que pode comprar dois pacotes de Doritos. E Kristen Stewart? Focar na testa dela ou olhar para o rosto como um todo, quase não tem diferença. Tudo bem, ela não é 100% sem feição. Só que todos hão de convir que falta “algo” nela. E por "algo" quero dizer "MUITA coisa". Já Taylor Lautner, coitado, teve que gastar três filmes para só então seu personagem evoluir. E ainda evoluiu aos trancos e barrancos, porque ele pode ser o alfa da matilha, mas sua parte no roteiro ficou bem pobre. Para não ser um completo pé no saco, vou dizer que no final os atores dão o melhor de si. Mesmo assim não seria difícil já que Bella passa a maior parte inconsciente, Edward aparece em meio a borrões e Shark Boy sofre o baque e o sentimento aéreo do imprinting.
Outro problema é que tentaram compensar a falta de ação com as chamadas "cenas de sexo" e "cenas assustadoras". Pior, fizeram um marketing de como o filme seria maduro por causa da tal abordagem sexual e as fãs compraram a ideia. Sinceramente, eu não sabia que mostrar meio movimento peristáltico era o suficiente para acender as meninas de hoje em dia. Além de que o momento em que Bella se depila, escova os dentes e arruma o cabelo ficou bem nos moldes comédia romântica lançada direto no DVD. Já as "cenas assustadoras" se resumem no pesadelo pré-matrimonial que Bella tem e no parto da moça. Só que, oi, o parto não é assustador. A câmera é. De qualquer modo, parece funcionar para o público alvo, porque as fãs treze-anescas que estavam no cinema soltavam onomatopeias a todo o momento.
E o final? Se você o analisa isoladamente, ele até funciona. A transformação interna de Bella em vampira inspirada livremente em CSI ficou boa? Ficou. A última cena do filme com o close nos olhos vermelhos vampirescos da senhorita Cullen ficou boa? Ficou. Mas agora acopla minutos a fio de dormência nos seus ombros e você tem a sensação de que não vale a pena. Existem vários fatos tristes no final de tudo. Um deles é que vai ter mais um filme e to-do-mun-do sabe que vai ser a maior enrolação. Vai ser mais arrastado do que a Parte 1 e, pior, com um final broxante (caso permaneçam com o do livro). O outro fato triste é que se você se atém a história original escrita por Meyer, você enxerga que ela funcionaria de forma quase – ênfase no quase – redondinha e bonitinha. O problema foi a ânsia em transformar a obra em um produto fast-food que passa na garganta das adolescentes nonsense sem ser digerido.
_