Crítica: nenhum olhar psicopata de “Annabelle” consegue salvar o filme



Depois de Invocação do Mal, de James Wan, ter sido um merecido sucesso, decidiram fazer um spin-off do filme. Foi assim que surgiu a ideia para Annabelle. Baseado no objeto amaldiçoado - que inclusive existe na vida real - a produção se firma muito no imaginário público, da própria boneca e de sua história. E erra horrores.



Com bons materiais de divulgação, incluso os trailers e até pegadinhas, não interessava que foi dirigido por John R. Leonetti, responsável pelo fatídico Efeito Borboleta 2. Afinal, erros acontecem e se o seu trabalho como diretor de fotografia de Invocação do Mal se destacou, não fazia mal confiar um pouco na direção geral do homem.

O problema é que cada escolha feita por Leonetti e sua equipe levam o filme ao abismo. Você vê isso desde a inserção dos primeiros letterings. Horríveis. A informação trazida, de como bonecas são objetos adorados por gerações, coloca o roteiro em um patamar generalizado e preguiçoso que não se desenvolve ao longo dos 98 minutos.

Some a isso uma trilha sonora redundante e, por vezes, deslocada. Infelizmente, a direção não consegue sair do lugar comum com instrumentos de corda usados de forma repetitivas em toneladas de outros filmes. Tem até aquela confiança cega no susto causado por uma nota alta. O problema é que a audiência já não aguenta mais isso. Se não é usado de forma única e justamente contextual, não acrescenta em nada.

Os atores, por sua vez, também não ajudam tanto. Todos - Annabelle Wallis (Mia), Ward Horton (John Gordon), Tony Amedola (Padre Perez) e Alfre Woodard (Evelyn) - são medianos. Mesmo que haja alguns bons momentos, na maioria do tempo parecem não se importar muito com o papel. Verdade seja dita: não dá pra culpá-los muito por isso. Os personagens, por si só, já são mal desenvolvidos. Ao menos o fato de não terem transformado - ainda - a boneca numa versão feminina de Chucky é um ponto positivo nesse desenvolvimento.

Fica bastante claro que o diretor apostou muito em todo o terror psicológico que a verdadeira história de Annabelle causa e não conseguiu tornar o roteiro mais denso. Nenhuma câmera contemplativa e planos detalhes agonizantes, como aqueles em que mostram Mia costurando, conseguem carregar sozinhos um suspense vazio e fraco. Anninha pode até ter um curriculum aterrorizante, mas a gente ainda fica com mais medo do punhal negro de dentro do boneco Fofão.


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