Nicole Scherzinger finalmente lançou seu segundo álbum. É até estranho imaginar que depois de tanto tempo "na mídia", esse seja somente o seu segundo registro oficialmente solo. A demora talvez explique muitas coisas da produção.
A pergunta que fazemos logo de cara é por que Nic não tem mais músicas por aí? Ela canta muito bem, isso é inegável, veio de uma girlband bem sucedida e mesmo assim não deslanchou. Resumir isso a um simples flop parece preguiçoso e leviano (pra usar o adjetivo da moda). O que nos passa pela cabeça, então, é que Nicole ainda não sabe o que quer.
Pra início de conversa, esse não é um álbum de Scherzinger. Big Fat Lie pertence a The Dream e Tricky Stewart. São eles os responsáveis por todas as letras, por exemplo, além de atuarem como produtores executivos. Nicole, dessa maneira, não passa da voz que externaliza o que os dois querem dizer. E tudo o que dizem não parece fazer sentido ou despertar algum interesse mínimo.
É incontestável o talento deles para hits e/ou músicas que nos marcam de alguma forma. Contudo, aqui, quase nada deu certo. Abrir com "Your Love", que é uma das melhores - o que não é muito difícil - foi uma escolha inteligente. A mid-tempo é leve e consegue cumprir muito bem o seu papel. Seguida de "Electric Blue" com T.I., em que a influência dos anos 80 e 90 fica bem evidente, as coisas começam a ficar meio estranhas. Depois de alguma audições, a música até entra na sua cabeça, principalmente graças a cadência do verso "this is what those little three letters have done to me". Parece estranho citar esse ponto tão particular, certo? Fazemos isso porque o álbum só consegue brilhar em momentos extremamente pontuais.
O mesmo acontece com os versos "we just let it bang / underneath the covers, not colours, just lovers" de "Bang". Claro que nada é tão pouco assim e algumas músicas conseguem se destacar. Ouvimos isso em "Heartbreaker", com sua sonoridade de longe mais interessante que a maioria (ainda que cansativa), a diversão desproposital e que funciona em "First Time" e a ajuda de Nicole na letra de "Big Fat Lie" - mesmo que exista uma transição no significado lírico que soe bem estranha.
Obviamente, os erros do álbum acabam se sobressaindo e incomodam muito. A confusão da letra de "On The Rocks" que parece não ter passado por uma revisão e seu vocoder mal colocado; a desconstrução melódica falha de "God of War"; a repetição vazia na maioria das faixas, principalmente em "Girl With A Diamond Heart" e seu menos que mediano background inspirado em elementos de reggae. Pra completar, ainda temos "Just A Girl", que inaugura um novo nível na categoria filler.
Pra deixar as coisas um pouco mais estranhas, colocam as melhores músicas justamente na versão deluxe. "Little Boy" tem um arzinho épico até bem-vindo; "Unison" é extremamente divertida e fofa ("they say nothing lasts forever / so let's sing in unison"); e "Cold World" dá uma roupagem nova para a sonoridade oitentista/noventista que reveste o trabalho, não bem demonstrada anteriormente.
O problema em colocar essas músicas na versão standard seria que elas quebrariam toda coesão do álbum (sim, isso existe, só não é bem aplicado). Tal coisa já acontece quando "Run" é a escolhida para fechar o disco. É um desvio claro, mas até agradecemos por acontecer, já que a canção mostra a capacidade interpretativa de Nicole no seu patamar mais alto, além de trazer uma letra linda.
Big Fat Lie é aquele álbum que te faz ter a sensação de que a maioria das músicas estavam gravadas há tempos. Se o objetivo era fazer um revival, faltou colocar um toque de atualidade nisso e não simplesmente repetir algumas fórmulas aqui e outras ali. A menos culpada nisso tudo é Nicole, que está aqui somente para interpretar. Ela só não teve sorte em ter em mãos canções tão fracas e engessadas. Ou então a moça não é nada exigente.
quedelicianegente.com

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