Guerra Mundial Z corre pra se destacar no meio “zumbizíaco”. E consegue.



Estreou sexta-feira passada, mas vale muito a pena comentar, o aguardado novo filme de Brad Pitt. Guerra Mundial Z quis se inserir, sem medo, no meio de tantos produtos midiáticos de zumbis que nos bombardearam nos últimos tempos. E, olha, não precisou ter medo mesmo.

Se a velocidade dos zumbis, que aqui correm pra c*ralho e não mais rastejam, tinha sido questionada antes do filme chegar às telas, foi só uma preocupação vazia. Esse diferencial pode distanciar Guerra Mundial Z das narrativas clássicas (sdds Romero) e/ou das comuns, mas é muito bem-vindo nessa história.

As hordas cada vez maiores de mortos-vivos só faz ganhar mais vigor com a correria desenfreada dos infectados. É pauleira toda hora, maluco! Tudo isso muito bem amarrado por uma fotografia completamente escura e repleta de salpicos de tons frios e neutros.

O senso de urgência que o longa infla no espectador é notório. O diretor Marc Forster (007 – Quantum of Solace) abusa de enquadramentos fechados, closes e planos detalhes. Isso tudo faz a audiência se sentir muito mais próxima dos acontecimentos e é agonizante não ter a câmera aberta para, quem sabe, tentar prever da onde o ataque vai vir. Porque, convenhamos, quando seu foco fica todo no rosto apavorado de um personagem, ninguém pensa que um zumbi pode aparecer "voando" da direita e morder o cano da arma.



E fique calmo, as cenas aéreas que foram largamente exploradas nos trailers são incríveis também. Elas desempenham muito bem o papel de mostrar a grandiosidade da pandemia que assola o roteiro. Ok, não podemos negar que uma ou duas vezes algum helicóptero não tem sua inserção gráfica feita de forma maravilhosa, mas relevamos um pouco.

O que não conseguimos relevar de maneira nenhuma é o monólogo terrivelmente encaixado no final do longa. Forçado, com cara de lição-de-vida-do-Globo-Repóter-sobre-saúde e nada inovador, é mais do que a filosofia do filme – que é legal, mas que não precisava de jeito nenhum de ser explicada – mastigada. Isso sem nem contar com o plano congelado que fecha o filme. Sério, precisava daquilo?

Esses deslizes, porém, não tiram a construção que a película faz durante suas quase duas horas de uma temática tão explorada. Com nenhuma tripa jorrando no seu rosto, nem massa cinzenta escancarada na tela, Guerra Mundial Z consegue se destacar com folga no acirrado meio zumbi.


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