Espelho, Espelho Meu é bonito, mas não encanta



Que Hollywood está no meio de uma crise "existencial" é algo que sabemos há muitíssimo tempo. Não reclamo disso. Acho ótimo essa aplicação de um paradigma pós-moderno à histórias já conhecidas. Entretanto, aprecio essas releituras quando o resultado é altamente satisfatório. Esse não é o caso de Espelho, Espelho Meu.
Espelho, Espelho Meu traz a Rainha (Julia Roberts) em um reino no meio de uma crise financeira. Seu desejo de se casar com o Príncipe (Armie Hammer) é para tirar sua economia do vermelho. Como o Príncipe se apaixona por Branca de Neve (Lily Collins), a Rainha deseja que a garota morra, além, é claro, da mágoa por a menina ser a mais bela de todo o reino e tirar esse posto da madrasta. Para fugir da fúria da Rainha, Branca de Neve se junta aos sete anões, que aqui são ladrões, e aprende a duelar para que possa roubar da tirana e dar o dinheiro aos pobres.



O único entendimento que se tem é de que o filme do diretor Tarsem Singh não funciona como filme. Funciona como objeto de estudo sobre figurinos. É maravilhosa a explosão de cores e criatividade aplicadas em cada peça. Desde as masculinas, que tendem a ser simplistas, às femininas, em que cada exagero pode ser maior. O longa também funciona como um belo trabalho de coreografia. As lutas são meticulosas – não que sejam perfeitas – e trabalhadas de um modo não violento que se encaixa na censura livre. Há materiais espetaculares no filme, como a animação no início da película, a cenografia e a representação do espelho da Rainha. Tudo isso pontual. Como uma obra concisa, não funciona.
O principal problema é o tratamento do roteiro. A proposta de lúdico demonstrada nos trailers não existe. Aqui, o lúdico é infantilizado. Se pelo lado da produção o filme é um excelente conto de fadas, a narrativa possui tons de chanchadas que diminuem enormemente sua qualidade (Didi Mocó curtiu isso). O impasse não está no filme ter um tom infantil – os pais também riem das animações que os filhos assistem – mas no fato de ser algo quase ao acaso.
Com atuações de artistas que sabem bem que o projeto é linearmente raso – e parecem não ligar para isso –, o filme é fraco. Uma fraqueza que incomoda o espectador.


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4 comentários :

  1. primeira critica de cinema do qdng ; )

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  2. Não consegui ler nada desse filme quando existe uma foto dessa protagonista E ESSAS SOMBRANCELHAS GIGANTESCAS

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  3. Nossa, que horror! 
    Mas mesmo assim, não perdi a vontade de assistir! 
    Tem que ver, pra crer né? Já diz o ditado! Rs.

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  4. Não possível que é a mulher linda de todas tenha essas sobrancelhas ridículas. Nao consigo me concertar na (falta de) história.

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