Tron: O Legado - um upgrade respeitável


Depois de alguns dias digerindo Tron: O Legado acho que posso finalmente dar minha nota 7 pro filme que prometia ser o Matrix de 2010, mas peca por um roteiro mal costurado e na dificuldade em desenvolver propriamente seus personagens, com os quais não me senti envolvido durante o plot frio e tecnológico. Antes de prosseguir, aviso que podem haver spoilers não intencionais.



A história começa sete anos após os eventos do primeiro filme, quando Kevin Flynn (Jeff Bridges), o bilionário dono da Encom, conta a seu filho Sam sobre o mundo virtual que está construindo. Maravilhado com suas descobertas ele deseja construir um mundo perfeito. Porém, antes de concluir seu projeto, desaparece misteriosamente. O tempo passa e Sam Flynn (Garrett Maravilhoso Hedlund), mesmo sendo o maior proprietário, mantém-se distante dos negócios, enquanto ocupa seus dias sabotando a própria companhia (e os rumos tomados pelos acionistas mais ativos). Finalmente, levado por uma pista falsa, é transportado ao mundo digital que seu pai desenvolvia antes de desaparecer.



O primeiro filme, Tron: Uma Odisséia Eletrônica, lançado em 1982, foi considerado revolucionário pela massiva utilização de computação gráfica, algo que ainda não havia sido nem sonhado na época, além de ter caracterizado pela primeira vez, visualmente, o que se entendia por cyberespaço, nos tempos em que os computadores eram maiores, alguns ainda ocupavam salas inteiras, não existia facebook nem mesmo interface visual.
A maior parte de ambos os filmes se passa no cenário virtual: o "Grid", local por onde a informação e programas viajam, além de apresentar o pretexto questionável para os games com discos e lightcycles (as motocicletas iluminadas que passaram por um maravilhoso upgrade nessa continuação).
Atualmente, já conhecemos muito bem a potência dos efeitos especiais blockbusters e, atentando à história, Tron: O Legado não faz questão alguma de tornar sua narrativa verossímil na medida do possível (contrariando a tendência crescente desde Batman Begins de 2005) ou preencher as lacunas deixadas pelo filme anterior: não há explicação para um ser humano transformado em bits sangrar de verdade num meio virtual, nem como o processo inverso (um programa tornar-se humano) é possível. Ele se transformaria em pixels quando ferido no mundo real? Tampouco nos diz qual a finalidade do "mundo perfeito" criado por Kevin Flynn. Seria a cura para pobreza e fome mundial? Talvez apenas um mundo perfeito para os gamers?



De qualquer forma, se você gosta de ficção científica e esquecer desses pontos negativos, poderá sim apreciar todo espetáculo do mundo perfeito contruído pelo tirano antagonista Clu 2.0 (programa criado por Kevin Flynn que possui a aparência rejuvenescida de Jeff Bridges): a riqueza visual transborda da tela num 3D imersivo que se torna essencial na hora de simular um mundo que não é nosso (mas não espere caquinhos voando na sua direção). Sem contar o toque especial da trilha composta pelo duo Daft Punk, que parece adquirir muito mais sentido aliada à ação proposta na trama e traz o tom certo para os momentos mais tensos.
Recomendo que, antes de ir ao cinema, você assista o filme anterior ou leia uma sinopse bem detalhada para não se perder, entender de onde surgiu o laser que transporta Sam Flynn para o Grid e identificar diversos easter eggs.
Tron: O Legado é uma homenagem e uma continuação respeitável, mas essa atualização imperfeita pode ter comprometido a continuidade sugerida no fim do filme.
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5 comentários :

  1. Achei os efeitos especiais e a trilha sonora de TRON perfeitos! Na minha opinião, melhores que Avatar. Mas realmente, concordo que a história deixou a desejar.

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  2. é, né?

    Eu dei uma cochiladinha, sabe? Aquela bem básica quando não prende.

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  3. Eu e minha amiga (que foi assistir comigo) tivemos ótimos momentos! NERDagem total!!! E a trilha incidental do Daft Punk realmente ficou perfeita! TRONNNNN!!!

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  4. "no tempo em que os computadores eram gigantes"

    http://techcrunch.com/2008/08/19/apple-is-flailing-badly-at-the-edges/

    Esse Apple é de 1982. Claro, não é exatamente um tablet ou um iPod nano, mas é um computador em tamanho razoavelmente pequeno.

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  5. beleza... esse foi o computador que renderizou os efeitos CGI do primeiro filme TRON...

    http://www.spikynorman.dsl.pipex.com/CrayWWWStuff/Criscan/ucs_Cray1_install.jpg

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