O assunto mais comentado do dia foi a carta aberta de
Sinéad O'Connor à
Miley Cyrus. O nosso post original sobre pode ser lido
aqui, mas, basicamente, a cantora irlandesa - após saber que seu clipe
"Nothing Compares 2 U" serviu de inspiração a
"Wrecking Ball" - aconselha Miley a não deixar que a indústria da música a "prostitua":
"A indústria musical não dá a mínima para você, ou para qualquer uma de nós. Vão te prostituir por tudo que vale e habilmente fazer pensar que isso é o que VOCÊ queria... E quando você acabar em uma clínica de reabilitação por ter sido prostituída, 'eles' vão estar em seus iates, que compraram com a venda de seu corpo, e você vai se sentir muito sozinha", disse em seu
site oficial.
Ao saber do ocorrido,
Amanda Palmer - cantora (veja
aqui e
aqui clipes seus) conhecida entre outras coisas, por ter despontado do The Dresden Dolls, ser casada com o famoso quadrinista/escritor Neil Gaiman e por ser bastante e idealista e feminista (tanto que nem raspa as axilas!) - também escreveu uma carta aberta, em resposta à Sinéad.
No extremamente lúcido texto - que você DEVE ler inteiro
aqui, pois vale muito a pena - Palmer ressalta sua imensa admiração por O'Connor, dizendo que foi uma das grandes inspirações, mas aponta motivos dela estar equivocada nos argumentos destinados à Miley.
Para ela (e a gente concorda), Miley parece ter sim às rédeas de sua carreira, não é um "pau mandado" da gravadora, tem plena consciência de que "sexo vende", e suas recentes atitudes polêmicas (que ela não necessariamente aprova, mas compreende), demonstram que está no controle não só de seu trabalho, como de sua vida, desgarrando-se de seu passado, onde teve que se comportar de maneiras preestabelecidas.
Ainda diz que nossa sociedade e cultura adora definir padrões para as sexualidade das mulheres e, quando alguma sai um pouco deles, é duramente julgada e repreendida, na maioria das vezes e ironicamente, pelas próprias mulheres:
"Eu quero que as mulheres se sintam menos presas dentro de seus corpos, tenham menos medo de se expressar, menos medo de serem pregadas na cruz do padrão de beleza cultural. Mas isso significa que, necessariamente, tem de haver espaço para Adele vestir um terno conservador, para Lady Gaga fazer sua arte performática nua na mata [
vide], para PJ Harvey usar casacos de gola alta do século 18 no palco, e para Natasha Kahn posar corajosamente nua na capa de seu último disco [
vide], e espaço para Miley rasgar uma página da cultura stripper e correr como uma louco por quanto tempo quiser".
Entrementes, a própria Miley se defendeu, através do Twitter, de maneira infelizmente duvidosa, postando uma
imagem da foto do Papa que O'Connor rasgou no programa
Saturday Night Live em 1992, e
fazendo referências aos problemas psiquiátricos que recentemente enfrentou. E isso fez com que a irlandesa escrevesse
uma segunda carta, criticando sua atitude que, embora apoiamos Miley na maioria da história, foi sim bastante infantil.
Pra aumentar ainda mais a lenha na fogueira da história, o diretor de "
Wrecking Ball", o fotógrafo Terry Richardson, ainda postou hoje
em seu site um ensaio BEM explícito da loirinha.