Sabemos que sabem que às vezes, devido às pautas corriqueiras, precisamos deixar alguns posts na geladeira. Isso acontece principalmente com as críticas, pelo tempo, dedicação e atenção que demandam.
Com o fim do ano cada vez mais próximo - e com isso nossa já tradicional retrospectiva, que deve pintar por aí na semana que vem - resolvemos apelar para máxima "antes tarde, que 'Put It In A Love Song'" e correr atrás do tempo perdido. Ou seja, fizemos resenhas de importantes lançamentos musicais de 2013 que, diferente dos cinematográficos, podemos escutar diversas vezes, proporcionando-nos uma opinião mais apurada e menos momentânea.
E, devido a repercussão que as críticas geralmente causam, vale lembrar que elas nada mais são do opiniões de quem as escreve. Seja aqui, seja em qualquer grande portal especializado, a imparcialidade total não existe. Cabe a cada um julgar se nossos cinco aninhos de labuta na blogosfera lhes é minimamente relevante. Nosso trabalho não é tentar alcançar a verdade absoluta e sim despertar em vocês discussões
saudáveis, concordem ou não conosco.
Por isso decidimos fazer desta, a semana das críticas musicais "atrasadas" e, nesse contexto de controvérsias, nada melhor do que começar com
Bangerz, o famigerado terceiro álbum de
Miley Cyrus, lançado em outubro.
Envolto de uma pressão enorme da mídia, fãs e haters, todos queriam ver, o mais rapidamente possível, qual seria o resultado, na prática, dessa "nova e polêmica Miley". Talvez por esse ritmo frenético, a opção de abri-lo com "
Adore You" cause estranheza absolutamente todas as vezes que damos play no CD.
Mesmo bonita (foi até escolhida como próximo single) e tendo certa compatibilidade com as demais baladas e mid-tempos, como "
My Darlin'", "
Drive", o hit "
Wrecking Ball" (uma das melhores do registro) e forte "
Someone Else" (com quem, aliás, poderia inverter o lugar na tracklist), a canção é a que menos dita o ritmo do álbum, por mais bagunçado que seja.
A maior decepção é "
Bangerz (SMS)". Calma, não é pela participação de Britney Spears, mas justamente porque a música poderia ser MUITO mais do que é. Ela atinge apenas o status de "legal" e, o que poderia ter sido épico,
geralmente pulamos quase passa despercebido. Algo bem frustrante, principalmente por se tratar da faixa-título.
O disco, ainda bem, traz (VÁRIAS) outras participações que o diversifica e, muitas vezes, o eleva. É o que acontece, por exemplo, em "
FU", mesmo com o paradoxo entre a letra meio colegial e a forte sonoridade (um quase "tango eletrônico"), tem seu equilíbrio encontrada na descontraída presença de French Montana. Idem "Hands In The Air", outro feat., com o Ludacris, infelizmente só presente na versão deluxe.
Mesmo com deslizes, não dá pra dizer que o álbum não acerta em sua proposta: a vontade de Miley de experimentar. Ninguém esperava algo no estilo de "
We Can't Stop" para lead single, duvidaram do seu potencial, e deu no que deu. "
4x4" com Nelly e um
foxtrot inspired e "
Love Money Party" e sua pitadinha
trap, possuem potencial subestimado. O mesmo com "
Rooting For My Baby" e "#
GETITRIGHT", a primeira pela calmaria inesperada e a segunda por nos lembrar que a cantora não esqueceu como fazer música fácil e aceitável por qualquer um.
Com tanta coisa diferente acontecendo, você fica perdido sobre o que esperar a seguir. Exemplo disso é a joia "
Maybe You're Right" espremida em meio ao turbilhão composto "
Do My Thang" - onde Cyrus solta a voz - e a já citada, forte e presencial "
Someone Else".
Em suma,
Bangerz é uma viagem longa que ora se assemelha a um passeio de fim de domingo e, outra, a um rolé por lugares mocados. Nele, a senhorita Cyrus quis dar nó na cabeça de tanta gente, que às vezes passa a impressão de ter dado um nó na da própria. Musicalmente é o reflexo de suas capas: composta de camadas, indo do laranja ao roxo sem medo, com neon em meio a um caos, provavelmente controlado. Pode até parecer estranho na primeira audição, mas de um jeito ou de outro, acaba te fisgando. É uma interrogação gostosa.
quedelicianegente.com